Aurélio Aquino - verbos

Assim se invente a vida, coisa de não sofrer, jeito de ser querida

Textos

Do exercício da paz
há que brandir a arma
do tamanho exato da paz
como se fora instrumento
à contradita de tal
pois em ser armistício
de variada postura
não se de à vazão
de perambular pelas ruas
porque a paz sempre habita
uma consciência difusa
que nem precisa ser tanta
para ser de clara armadura
cravada no peito dos homens
como larga escravatura
que lhe põe horizontes na cara
e lhe inventa e testemunha
no rol infante da vida
na lida avante do mundo
como se fora uma flor
que precisasse de tudo
para dizer que ao homem cabe
a certeza de sempre ser
aquilo que lhe desnude

é que ao homem descabe
qualquer semelhança
ao que se faça por guerra
cerzido a qualquer lembrança
malgrado a quota de paz
que qualquer guerra barganha

é que ao homem se apresta
essa via larguíssima
de inventar as manhãs
a partir de sua vida
como se fora prestação
de uma compra infinita

há que brandir a paz
como essa arma precisa
que pulsa no peito do homem
do tamanho de sua lida
como se fora a razão
de toda sua notícia
estampada pelo mundo
à custa de muita vida.
Aurélio Aquino

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Publicado em 14/04/2010 às 22h51


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