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Balada aos estádios de minha pátria
a muita gente
espremida e bruta engole passos de boi no caminho da disputa não uma luta precisa que se urdisse na classe mas uma batalha nervosa no vão da linha de passe e se afundam nas filas bovinos transeuntes na parcimônia dos passos na pouquidão dos seus rumos e urge o grito no bolso como um discurso escancarado destemperando essa fome que o povo leva ao estádio assim que a bola se mexe mais se parte o coração de um lado só por esporte do outro por solidão e partem juntos os homens no enganoso mister de chutar a vida na bola de esmagar a fome nos pés e mais o verde da grama se pareça uma bandeira tanto mais o povo é chama a queimar a vida inteira o campo parece um drama verdemente disfarçado e os gritos partem a tarde numa alegria magoada de repente o povo estaca engolindo a ilusão e o gol explode nas caras igual à revolução.
Aurélio Aquino
Publicado em 02/04/2010 às 10h21
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