Textos
Ode cardíaca
I
nenhuma agulha nem eletrodo tal navegará meu coração em todo seu vau porque de sê-lo assim às vezes e tanto magro ainda me baste a compleição de tê-lo sempre aos saltos porque em sendo bólide de alada contextura possa dispo-lo à vida e à sofreguidão das ruas nenhum doutor de tê-lo assim em mãos compreenderá suas esquinas com qualquer exatidão porque em sendo bomba nem se lhe aquilate o conteúdo porquanto explodi-lo baste na compreensão do que me pude e, ao invés, não seja de explosão tamanha como para guardá-lo intacto nalgum desvão da esperança porque de tê-lo ao peito ajuize-se bandeira de afagar adredemente a extrema noite brasileira. II nenhuma agulha compreenderá minha mitral pois, válvula, não se diz de tanto como se fora descaminho tal em vão eletrônica não lhe cabe a compostura de esquadrinhar vãos alheios de complexa urdidura antes lhe sinta o caminho de parecer-se andadura de tudo que em meu peito afoga a estranha vazão da aventura.
Aurélio Aquino
Publicado em 09/03/2010 às 22h13
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