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poema em revolução
quero-a revolução
como exercício de amolgar a vida como ofício quero-a revolução como norma e indício de que a vida cabe inteira em qualquer sentido quero-a revolução descontraída que paste a tarde humana e me decida quero-a revolução em cambulhadas engolfando as manhãs por que me arda quero-a revolução exata no seu ilimite e que não me faça noite mesmo quando triste quero-a revolução destemperada amanhando a consciência da madrugada quero-a revolução tão crua e tanta e que não seja nem verbo nem garganta quero-a revolução desde a aurora pra que nasçam todos os sóis pela história quero-a revolução adredemente amada deitadas pelas sarjetas porque tão vasta quero-a revolução ensandecida nas esquinas mais gerais de toda a vida quero-a revolução como armistício das guerras que trazemos nos sorrisos quero-a revolução porque definitiva no atravessar dos horizontes das vigílias quero-a revolução e simplesmente cavalgando minha vida impunemente.
Aurélio Aquino
Publicado em 06/03/2010 às 21h59
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