Textos
poema à burocracia
os birôs
de militar postura escondem dentro de si mortes e amarguras e se fazem urgentes ao explodir a prática num coito desinformado entre o homem e a máquina o documento tem uma face lógica e suores subentendidos e risos datilográficos e em cada ângulo de si traz sempre a serenidade de um efêmero processo de negação da vontade o funcionário posto em sua função de cidadão consentido inventa no dorso das letras um pretenso objetivo de concluir contra o próximo qualquer viés proibido nessa estatal caminhada de consumir seus sentidos o funcionário e o birô pastam letras e matemáticas e se se dão à razão se suicidam na prática pois um birô requer como arquivo latente a vontade do funcionário presa num documento e se se forma a fração nessa proporção burocrata o funcionário torna-se birô de estranha matemática pois em não sendo mobília é um móvel estatizado com a mesma sem razão do erro datilográfico
Aurélio Aquino
Publicado em 06/03/2010 às 21h44
Comentários
|